Clausura

(foto de BlueShell)
Pintei de roxo o meu quarto…
Vesti-me de negro escuro!
Fiz arder todas as velas!
Vedei portas e janelas,
E deixei que a dor ficasse
Bem fechada dentro delas….
Sei pouco mas sinto demais! Gosto do cheiro da terra molhada e do toque sereno do vento roçando-se nos pinhais, sem Tempo nem Idade. Tenho na alma a robustez das serranias e na alma...lágrimas de saudade!
Mulher...mulher do campo; Mulher-criança, apaixonada, mulher apenas...mulher que ama...sem pedir nada!

(foto de BlueShell)
Pintei de roxo o meu quarto…
Vesti-me de negro escuro!
Fiz arder todas as velas!
Vedei portas e janelas,
E deixei que a dor ficasse
Bem fechada dentro delas….

(foto de BlueShell)
Perdi-me em pedaços de um velho livro, histórias de encantar…
Páginas gastas pelo Tempo…
Perdi-me entre ruas e becos de um lugar
Onde não tinham nome as ruas….
Lento o grito …não se ouviu…
E as mãos que me tocaram…não eram as tuas…
Perdi-me em tintas de uma aguarela por pintar,
Sinos de Igrejas…sem Divindade…
Perdi-me no fogo do desejo, e tu, onde quer que estejas,…
Sabe que te amei, te fui mais do que querias que eu fosse...
E, de verdade...Fui mais que mulher…
Fui essa rua sem nome, esse livro sem idade…
Fui Tua…em fúria, em chama de puro prazer…
Serei tua…sem o ser…e terei em mim um pouco do teu ser…
Serei mulher, muito mulher, enquanto vida em mim houver!

(foto de BlueShell)
Amar-me-ias de novo?

(foto de BlueShell)
Percebi só agora
Que tu foste embora
Escondendo tua mentira...
Assim, ao amanhecer,
Não terei de ver
Teu olhar fugir do meu olhar…
Nem tuas mãos evitando me tocar…
Foste quando o Tempo de mentir
Te disse era Tempo de partir.
Foste quando o Tempo de eu te querer
Me disse que era Tempo de esquecer…

(foto de BlueShell)
Em que Tempo ou Templo foi tua prece ouvida?
Que um manto de Paz venha sobre ti…
Eras inocência… foste abençoada!
Eu…prostrada me humilhei… tanto roguei, pedi…
E em resposta…a ausência…o silêncio molhado
Das lágrimas que já não choro…pois meu pecado
Foi tê-lo amado, a ele, meu querido, meu amado!

(foto de BlueShell)
Este não será um poema de amor…
Porque neste poema não vou falar de ti.
Neste poema não haverá frio ou vazio, ou dor….
Serão palavras que vi…escritas na superfície do Tempo…
Não, não são por ti as lágrimas me vês verter…
Porque neste poema não vou falar de ti….ou do meu querer.
Nada direi de teu sorriso franco,
Nem de teus braços, meu abrigo…
Nem de teu olhar quente de desejo…
(Sigo sem medo…e rasgo meu vestido branco!)
Já não vejo teu sorriso, nem sinto o aconchego
De teus braços, o desejo no teu olhar…tudo é perdido.
Por isso este não é um poema de amor
Porque de ti não ficou senão…
O leito frio, vazio em mim…e minha dor
espalhada à toa pelo chão!

(foto de BlueShell)
- Chamaste? Não?
- Desculpa, pensei ter ouvido a tua voz.
(síndrome de “ser eu” , não “sermos nós”)!
Não sei explicar…mas quase posso jurar
Que te ouço a toda a hora!
(síndrome de “ser eu” , não “sermos nós”)!
Mas como? Se tão longe de mim estás
E se te tenho apenas na memória voraz do Tempo?
(síndrome de “ser eu” , não “sermos nós”)!
Lento…o passar dos dias…e já nem tento
Perceber porque ouço a tua voz
A cada momento!

(foto de BlueShell)
Longe de mim, de tudo, de toda a criatura
Sei, … tenho por certo, que estou só!
Afinal…sempre assim me conheci…
Só que adormeci e sonhei…sem razão ou tino
Que havia sempre alguém do meu lado…
Mas sonho é coisa que não dura….
E solidão é certeza que permanece!
Parece que afinal…
Sempre assim me conheci…
Só que adormeci…num sonhar profundo
Onde ergui um mundo
Só de magia feito…
De flores, aves, cânticos alados…
Fadas, Príncipes encantados…
Mas no meu peito há apenas a dor
De saber
Que ninguém irá chorar….
Quando um dia …com muito Sol e cor e pássaros
E pessoas indiferentes a passar
…eu me render e, sem lutar,
Me entregar, cansada de inventar
A Felicidade feita de aplauso e festa
À vontade de adormecer para sempre
Nesse sono, sem sonhos, que me resta:
…Longe de mim, de tudo, de toda a criatura
E descer, por fim, em paz… à sepultura!

(foto de BlueShell)

(foto de BlueShell)
A nossa vida é feita de escolhas, de decisões …
Por vezes evitamos os caminhos íngremes e sinuosos porque temos medo de acabar perdidos; além disso é mais cómodo, e aparentemente mais seguro, seguir por uma estrada larga e com boa visibilidade…
Porém…são, mutas vezes, os caminhos aparentemente íngremes que nos levam longe…enquanto que a estrada larga e asfaltada… súbito termina numa enorme desilusão.
Sabemos então que tomámos a decisão errada porque o fundamento da nossa escolha foi a aparência…o desejo de facilitismo…o querer chegar mais depressa …e com o menor esforço possível.
No momento de decidir temos de ponderar, temos de antecipar que opções temos e quais as consequências prováveis que virão de cada uma das opções a tomar. Devemos antecipar se a decisão irá ser boa num futuro próximo …mas péssima a longo prazo. Devemos ainda ter em conta até que ponto a nossa opção irá, ou não afectar outras pessoas…positiva ou negativamente!
Depois, bom…depois há aquelas escolhas que fazemos sem pensar. Ou porque achamos que são coisitas banais, ou porque estamos cansados, ou irados…ou simplesmente porque queremos “despachar a coisa” e seguir em frente! …pois! …muitas vezes, … essas, são as decisões que nos levam, mais tarde, a momentos de desespero, dor, arrependimento…e para as quais já não há solução possível. Está feito…está feito…o Tempo não volta atrás, é implacável, inexorável…estamos condenados a viver com as consequências dessa nossa escolha e carregar o seu peso para o resto das nossas vidas!...
Porque a nossa vida é feita de escolhas, de decisões…

(foto de BlueShell)
Sou quem finge nas palavras
O sentir de cada instante…e
Diante delas sou céu, sou flor
E mar…enseada por achar…
Nas palavras sou encanto,
Tanto fruto, tanto amor…
Tanto crer, tanto lutar
Por quem realmente sou!
Nas palavras posso ser
Mãe, sem o ter sido…
Já tenho o peito dorido
De teimar ser quem não sou!
Mas as palavras que eu pinto
Em aguarelas de vida…
São a vida que eu vos dou…
A vida que eu já não sinto!

(foto de BlueShell)
Tive asas…voei!
Tive Tempo…vivi!
Tive Amor…amei!
Tive medo…perdi!
Jamais pude voar, viver...amar…
…pois perdi as Asas com que Voava no Tempo
À procura do momento
Para estar com o meu Amor!

(foto de BlueShell)

(foto de BlueShell)
Dorme meu menino de ouro, dorme pequeno Anjo…
Não deixarei que nada perturbe teu sereno dormir…
Meu Amor por ti será tua protecção, filho meu…
Filho que Deus me deu…amar-te-ei e darei- sim darei-
Minha vida por ti…porque és milagre a existir em mim!
Dorme meu menino de ouro, dorme pequeno Anjo…
Que eu te guardo dentro de meu ventre, meu corpo quente…
E tu terás, no teu dormir sonhos mil, plenos de Sol e cor…
Pois que com preces, lágrimas e dor surgiste em mim,
E de mim…
…Fruto de um grande Amor!

(foto de BlueShell) (foto de BlueShell)
Do verde (esperança) da sublime Natureza,
(Minha casa, meu lar…)
Tenho esta certeza: sou montanha, sou árvore…
Sou flor, sou fonte, sou rocha…
Sou mar, sou onda, luar…
E tu, Amor és, e foste um dia
Aconchego, Amparo, Fruto
Pronto a deixar-se colher…por mim,
Menina, mulher de verdade:
Inocência em Flor que só queria…
Amparo, Aconchego e Felicidade!

( Images retiradas da internet)
(foto de BlueShell)
Silêncio…
A resposta que obtenho às minhas dúvidas…
Silêncio…
A resposta às minhas preces…
Silêncio…
A resposta às minhas lágrimas de desespero e dor, de infinita tortura…são paredes de silêncio e eu, em amargura, vou levando os dias como quem só já espera a noite onde me revelo…me deixo ser como sou, me desnudo diante doutro mundo…esse mundo sem cor…cinza e frio, vazio de vida…sequer sentida…
…porque o silêncio ensandece…e eu…na minha humildade apenas pedia uma resposta à minha prece…
Mas, vencida, me recolho na sombra do que quer que tenha sido um dia…Eu que apenas queria que o meu dia tivesse cor, Senhor!